Escola de pais

Educação financeira: quanto antes melhor*
Processo deve iniciar aos dois anos e meio de idade com apresentação das moedas e cédulas para a criança sem associar valores

A educação financeira deve começar aos dois anos e meio de idade. Esse processo inicia com noções básicas. A escritora e especialista em educação financeira, Cássia D’Aquino, explica que os pais podem começar mostrando as moedas para o filho sem associar a nenhum valor. Mais tarde, pode acontecer a apresentação das cédulas com os símbolos e animais que trazem impressos. ‘‘Não adianta longos discursos se o assunto não for mostrado concretamente para a criança’’, explicou.
Os pais também podem desenvolver junto com a crianças os conceitos de caro e barato em situações como a ida ao supermercado e à padaria. É importante mostrar a diferença que existe entre querer ou precisar de um produto. ‘‘O uso do dinheiro exige racionalização e não impulso‘‘, destacou.
Cássia alertou que jamais os pais devem ‘‘pagar’’ para os filhos participarem da organização doméstica. ‘‘Não tem cabimento pagar, senão os pais vão criar um crápula’’, disse.
Outra grande discussão é dar ou não mesada para os filhos. ‘‘Este é um instrumento entre muitos para educar. Funciona se a mesada for dada na hora certa e na dose certa’’, disse. Ela orienta que, até os 11 anos, a criança deve receber a ‘‘semanada’’ porque até esta idade não tem maturidade para ganhar a mesada. No entanto, antes de dar a mesada é preciso explicar porque o filho está recebendo o dinheiro para a criança não pensar que está sendo paga pelo ‘‘prazer da convivência’’.
Há outras maneiras de educar financeiramente como organizar as férias de julho por exemplo. A criança pode ajudar na pesquisa de preços dos pacotes turísticos, hotéis e passagens. ‘‘Isso ensina milhares de coisas sobre planejamento’’, argumentou. Outro bom exercício é fazer a lista de supermercado junto com o filho e pedir para que ele verifique se está faltando algum produto em casa como, sabonete, por exemplo. Na ida ao mercado, a criança pode ficar responsável por comprar quatro sabonetes. ‘‘As crianças na faixa etária de dois anos e meio a três anos adoram ajudar os pais’’, disse.
Ela destacou que há alguns tipos de consumos imprudentes ou nefastos que os pais devem proibir como cigarro. Segundo a especialista em educação financeira, com um ano e meio de idade, a criança começa a ter as primeiras noções básicas de marca e já reconhece um pote de Danoninho, por exemplo. Aos dois anos e meio, pede para que comprem algo para ela pela primeira vez.
Cássia também não recomenda contar aos filhos o valor do salário dos pais nem prometer presentes e prêmios em troca de bom desempenho na escola. ‘‘Se a criança vai mal na escola é preciso descobrir a causa e não a subornar para isso’’, destacou. Para ela, não existe razão para se premiar com coisas um bom desempenho na escola. Um abraço, um lanche bacana ensinam muito mais’’, explicou.

*Extraído do Jornal Folha de Londrina de 22/04/2008.
Reportagem: Andréa Bertoldi – Equipe Folha

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